DIY : Um guia rápido sobre pincéis para artistas confusos.

Pincéis para trabalhos artísticos em tela ou superfícies que não o rosto humano são algumas das ferramentas cruciais para um bom desempenho de arte. Compostos sempre pelo cabo, virola (a parte metálica) e as cerdas, sintéticas ou naturais, os pincéis possuem uma grande variedade de formatos, sendo inicialmente divididos em dois grupos: chatos e redondos.

Pincéis redondos.

Esse tipo possui, obviamente, um agrupamento circular das cerdas. Pegando pela extremidade da virola, você percebe o formato arredondado dessa parte. São conhecidos por sua capacidade de reter mais facilmente a tinta, sendo usados para pintar sem precisar retirar muito da superfície do trabalho.

Mais famosos para trabalhos de aquarela, já que são perfeitos pra técnica aguada, alguns tipos mais baratos podem manchar extremamente fácil, absorvendo demais a água ou dificultando a limpeza pós-uso.

Pincéis chatos.

Esse tipo, mais comumente encontrado em papelarias ou em materiais escolares, possuem as cerdas dispostas em plano. A ponta da virola é mais achatada, levando as cerdas a terem uma maior superfície de contato disponível.

Usados principalmente para espalhar a tinta mais rapidamente, esses pincéis não retêm muita tinta, sendo necessária a reposição constante. São ótimos para pinturas de paisagens com cores sólidas, já que, com a rapidez com que espalham a tinta, acabam deixando-a mais fina na superfície, exposta para uma secagem mais ligeira.

São perfeitos para o uso em trabalhos infantis e são mais chatos pra lavagem: por causa da disposição das cerdas, lavá-los esfregando em uma superfície da forma errada pode fazer com que os pelos percam o formato original, atrapalhando pinturas futuras. O mais certo, nesse caso, é lavar eles deitados, esfregando-os de lado na palma da mão delicadamente, não mexendo com ele de pé ou com as pontas diretamente na mão.

Para uma lavagem mais delicada, independente do pincel, o ideal é limpá-los tirando os excessos num pano, molhando em água (de um pote) e tornando a tirar os excessos no pano, até a água sair limpa. Assim, evitando água corrente e atrito excessivo, o formato das cerdas permanecerá perfeito por mais tempo.

Apesar de ser comum ver pincéis mais acabados devido o uso, até mesmo por serem bem aesthetic aqueles pincéis manchadinhos, o mau cuidado pode trazer mais problemas do que o esperado: queda de cerdas, mofo, endurecimento e até a completa inutilização do material podem ser algumas das consequências da falta de atenção pós-uso.

“assorted-color paint brush lot” by thom masat on Unsplash. Descrição: vários pincéis sujos dispostos uns sobre os outros. Todos eles estão manchados de pinta, com suas cerdas bem desgastadas.

Algumas dicas importantes:

  • Durante o uso, o pincel deve ser disposto na horizontal, para que não corra tinta para dentro da virola.
  • Na lavagem a mesma coisa: não os coloque de pé. Para uma secagem perfeita, a posição horizontal ou com as cerdas para baixo (sem encostar em nada) é o ideal.
  • Para armazená-los bem, um estojo de tecido ou acrílico é perfeito. Não faz bem deixá-los expostos ao ambiente, ainda mais se pegarem muito sol, pois faz juntar poeira e encurta o tempo útil do material.

Tá Bourbon, eu sei isso tudo. Quero saber como comprar esse material.
Pois então jovem gafanhoto, lá vai:

Como escolher o pincel.

Visto que agora estão cientes dos tipos existentes e como cuidar deles, vocês precisam comprar um, certo? Você tá aí, parado na papelaria em frente à sessão de pincéis, procurando a parte que eu falo como escolher um.

Primeiro, procure os que satisfaça suas necessidades na sua técnica. Você faz aquarelas? Escolha os redondos. Você faz acrílicas? Escolha os chatos (meus favoritos pra esse caso, a tinta no pincel redondo seca rápido nas cerdas).

Segundo, procure os que facilitem o seu trabalho. Você costuma pintar grandes quadros? Escolha os mais gordinhos, com maior quantidade de cerdas. São mais densos e mais fáceis de atingir grandes áreas. Você costuma pintar pequenos detalhes em um desenho? Escolha os mais finos e menores, principalmente os com ponta afinada. Quanto menos cerdas, mais afinada será a pincelada para pincéis chatos.

  • Pincéis chanfrados são ótimos para detalhes em linha;
  • Os língua de gato são bons para espalhar as tintas, apesar dos chatos retangulares (os orelha de boi) serem perfeitos para isso;
  • Tudo vai depender do tipo de pincelada que você preferir. Vale procurar imagens que representam esses efeitos e escolher o seu favorito.

E o tamanho das cerdas? As mais longas são mais molengas, boas para pinceladas mais despojadas. Já as mais curtas são mais rígidas, ótimas para detalhamentos. Facilitam muito o trabalho para pequenos cantinhos ou linhas, apesar de ser possível trabalhar sem esses pincéis.

É interessante sempre verificar se a virola é bem presa. Mexer nessa parte é ideal para saber se o pincel é de boa qualidade ou não: se ela se mover, sinal de que uma hora vai soltar. A finalização da virola é tão importante quanto o resto do pincel. Restos de cola vazando, má colocação e outros detalhes que não deveriam estar ali são indicativos de que o pincel não irá durar, e as vezes não vale o preço cobrado nele.

Olhar as cerdas também é extremamente importante: ver se todas estão bem agrupadas, ou se tem alguns fios fujões, espetados pra fora é crucial. Pincéis com muitas cerdas “fujonas” ou muito descabelados indicam que já estão velhos e que perdem facilmente a forma, ou seja, possuem pouca vida útil.

Quanto mais detalhado o acabamento for, maior é o indicativo de que é um bom pincel.

Como escolher por preço x marca.

O mercado brasileiro é ótimo em questão de variedade de marcas e da qualidade destas. Dificilmente você irá pagar menos de 2 reais num pincel único, enquanto que há estojos de materiais essenciais que são bem baratos também.

Algumas características (como a cor do cabo, sendo preto comumente mais caro) podem encarecer o preço do pincel. Quanto maior for ele, maior o valor. Quanto mais específico (como um pincel de fio único), mais salgado será também.

As marcas mais em conta são a Tigre e Condor, que possuem linhas escolares (de cerdas mais grossas e com aspecto áspero) e profissional (de cerdas bem variadas, deixando à escolha do cliente). A Condor ainda tem um kit básico, com pincel, rolinho e godê. O custo benefício costuma ser bom, principalmente se o pintor cuida bem do material. Vale a pena, porém, investir em pincéis de marcas mais caras se você achar que precisa.

Dicas finais.

Finalizando, depois de você conhecer isso tudo, é sempre bom lembrar que:

  • Não precisa começar tendo pincéis caros. Eles não valem a pena se não forem extremamente necessários;
  • Tenha um potinho específico para a água de limpeza, assim como um paninho. As tintas podem manchar muito fácil e você não quer sujar os panos de prato da sua mãe (que nem eu);
  • Se você usa tinta óleo, vale investir numa aguarrás, é mais fácil de limpar o pincel;
  • Vale investir num godê e em uma espátula se você costuma misturar as tintas, já que assim não tem desperdício de material, nem estraga as cerdas do seu pincel ou mancha outro potinho;
  • Sempre limpe o pincel após o uso.

Obrigada por ter lido até aqui!

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