DIY : O nascimento de uma oficina – Telmo Mendes Leal – Medium

A história por trás da Curious Goblin

Desde que me lembro, eu era bom com trabalhos manuais. Adorava desenhar e construir coisas desde criança, mas de alguma maneira essa habilidade não foi nutrida o suficiente durante a minha adolescência. Nunca senti as mãos tornarem-se desajeitadas, mas não estavam tão frequentemente metidas em apuros desmontando um rádio perfeitamente funcional ou cobertas de cola e tinta por construir uma cidade no chão do quarto para os meus brinquedos. O mesmo aconteceu com os jogos de vídeo, mas esta história não é sobre jogos.

Photo by Sam Hetterich on Unsplash

Aos vinte e tantos anos decidi explorar o meu amor pelo cinema de animação. Sempre adorei animação e em especial animação stop motion. Dei um passo em frente comecei a aprender sozinho como animar objetos. Depois de alguns tutoriais em vídeo, precisava de aplicar tudo o que estava a aprender. Neste momento, comecei a procurar adereços para a minha primeira história. Um deles era uma cama. Porém, eu nunca encontraria numa loja aquilo que imaginei dentro da minha cabeça. Assim, decidi fazer eu próprio uma cama da forma como a tinha pensado. Comprei uma tábua, mas precisava de a cortar em pedaços mais pequenos. Comprei um serrote, mas precisava colar os pedaços de madeira. Comprei cola branca, mas precisava segurar tudo junto enquanto a cola secava. Comprei um par de gramps e colei tudo. Acabei por nunca utilizar o objeto de construí, mas aquele momento mudou tudo. Sem dar conta, tive as minhas primeira ferramentas e com pouco esforço tinha construído algo do zero. Foi o início da oficina (que mais tarde seria chamada de Curious Goblin).

Nos anos seguintes, conquistei uma arrecadação na casa de família e enchi-a de materiais e ferramentas. Hoje já não possuo um par de pequenos grampos, mas dezenas deles. Já não compro cola branca em frasco, mas ao balde. Já não tenho um serrote, mas várias serras entre outras tantas ferramentas. Algumas são manuais, outras são ferramentas elétricas. Todas são amarelas.

Photo by George Pastushok on Unsplash

Hoje, a criança dentro de mim não podia estar mais viva. Em momento algum da minha adolescência parei de brincar, fui menos criativo ou me esqueci de divertir. Nenhuma dessas coisas esteve ausente, embora eu tivesse sempre a sensação de que costumam ser mais naturais e confortáveis antes. Agora compreendo que os recreios precisam de mudar e evoluir tanto quanto nós crescemos e não devem ser deixados para trás como um momento exclusivamente infantil.

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